Teoria Básica - I
Um pouco de teoria geral
Conceitos
Há várias maneiras de se propor o aprendizado numa área técnica. Duas são as mais comuns:
- expondo fórmulas matemáticas e exigindo do iniciante a
memorização do conteúdo teórico;
- mostrando fenômenos que ocorrem, na prática, no dia-a-dia de qualquer pessoa,
desde a sua infância.
Por motivos óbvios, preferimos o segundo método. Explicar o que é som pode se transformar numa longa exposição de
princípios físicos que ocorrem na natureza. Para fugir disso, é necessário entendermos
os conceitos (naturais) de som. As descrições abaixo podem ser entendidas por qualquer
pessoa.
Há dois conceitos fundamentais
para a palavra som :
No primeiro caso, trata-se do deslocamento de moléculas que
uma onda sonora produz em um meio qualquer de propagação. No nosso caso, o meio mais
comum é o ar. No segundo, trata-se do som propriamente dito, a
sensação que é captada pelo nosso ouvido.
O conceito que mais nos interessa na acústica arquitetônica é o último,
evidentemente. Para atingir o pavilhão auditivo o som necessita de um meio de
propagação provido de inércia e de elasticidade e no presente estudo é o próprio ar
que nos envolve. Se não houver nenhum gás preenchendo o espaço que nos circunda, os
sons deixarão de ser ouvidos.
Propagação do Som
Primeiro, volte um pouco no tempo. Lembra de quantas vezes você jogou uma pedra dentro de uma piscina, de um lago ? Se a água estivesse tranqüila (parada) você ficava admirando as pequenas ondas que provocou na superfície da água. E deve ter observado que as ondas se repetiam, sempre se afastando do ponto onde a pedra havia caído, formando novos círculos concêntricos. Quanto mais se afastavam do centro desses círculos (local onde a pedra havia caído) mais as ondas iam perdendo "força" , ficando mais "baixas", até cessarem seu movimento. Você tinha acabado de criar um movimento ondulatório.Agora retorne aos tempos de hoje. Se fosse possível congelar e depois recortar toda a área da água que contivesse as ondas (um círculo) e girá-lo nos sentidos vertical e horizontal com o centro fixo, você obteria uma esfera. E as ondas, já em três dimensões, pareceriam sair do centro para a superfície da esfera. Como se fossem bolhas de sabão se formando uma dentro da outra com espaçamento entre elas cada vez maior.
Essa explicação, bastante elementar, é
fundamental no entendimento da propagação do som.
Ela serve para demonstrar que o som se propaga em todas as direções dentro de um meio
apropriado. Mas observe. Seria muito mais difícil estudar-se a propagação do som
sempre partir de uma esfera. Como no estudo da ótica, adota-se um feixe. Que é o
resultado de secção vertical (ou horizontal, também, para efeito de exemplo) na bolha
de sabão no círculo "congelado". Em ambas as situações o feixe seria
uma linha, digamos, sinuosa, como mostrado abaixo

Figura 1
Estudando a Propagação do Som -
Arquitetura
- em recintos fechados
Aconselhamos sempre o leitor a transpor o que ele já sabe sobre outro assunto àquela área onde está se iniciando. É bom sempre lembrar que há uma similitude de propriedades na maioria das áreas técnicas.
Um conceito ou uma definição ou até fórmulas detêm
diversos parâmetros iguais ou bastante semelhantes ao se transportarem para outra
ciência. Dizem os estudiosos que tudo não passa de um certo "complô" divino:
toda a área do conhecimento científico converge para as mesmas leis maiores,
aquelas universais, que não foram ditadas pelo homem, mas sim por Deus. Assim,
se você estudar a propagação da luz verá que o básico é o mesmo que aquele
verificado na propagação do som no ar. Feixes percorrendo o espaço, o meio. Com a luz
tudo é bem mais compreensível porque a gente pode "percebê-la" em seu
caminho, suas reflexões, seus sombreamentos. Com o som apenas "sente-se", ou
melhor ainda, ouve-se. Porque é um fenômeno mais
"escondido".
Se você chegar a projetar caixas acústicas verá que muitas fórmulas são
idênticas àquelas usadas em eletrônica. Essas "parcerias" técnicas podem ser
mais nitidamente notadas em três áreas, que nos interessam por ora:
acústica => eletroacústica =>
eletrônica
Há nessas três ciências muitas fórmulas quase iguais, mudando-se apenas
alguns parâmetros básicos. No nosso caso, fique com a ótica por
enquanto. Admita que um feixe de som é basicamente igual a um feixe de luz no seu
caminhamento dentro de um meio apropriado.
Reflexão
Assim como um feixe de luz (um raio, popularmente) reflete-se no espelho, o feixe de som reflete-se (ou desvia-se) em qualquer anteparo encontrado em seu caminho. Igualmente como na ótica, os raios sonoros obedecem aos mesmos princípios básicos. O principal no presente caso é:
Observe que o ângulo A é igual ao ângulo B
Essa é a forma mais simples de apresentar
essa característica. Há, claro, muitas outras propriedades envolvidas se
estudarmos mais aprofundadamente o assunto.
Absorção
Trata-se de uma característica importantíssima no estudo do som. Na verdade, é uma propriedade dos materiais e formas existentes no ambiente onde se propaga o som e não propriamente dele. Para entender rapidamente compare :Com um feixe sonoro acontece mais ou menos a mesma coisa. O raio refletido guarda menor potencial sonoro que o incidente. Você aprenderá isso em maiores detalhes quando estudarmos a aplicação de materiais no tratamento acústico de ambientes.
Quando estivermos estudando a acústica aplicada a ambientes,
mostraremos a tabela que dá os índices de absorção do som para os materiais mais
comumente usados.
Velocidade do Som
Dizemos que o som se desloca a n metros por segundo. Na verdade o que se desloca são as ondas, e a gente assim se refere pois nos basta, em princípio, o estudo da frente de onda, ou a onda da frente. Esse deslocamento do feixe sonoro é bastante variável em função direta do meio onde se ele se propaga.
Quanto mais denso um meio, maior velocidade na propagação.
Ao verificar a pequena tabela abaixo, não se pode esquecer das características internas
de cada material e a temperatura ambiente. Esta última pode alterar bastante a
configuração interna das moléculas do material .
Quanto mais denso o material, mais próximas e rigidamente ligadas e próximas
estão suas moléculas. Isto favorece o aumento da velocidade do som. A temperatura atua
diretamente nessas duas características dos materiais.
Velocidade média do som nos materiais mais comuns (em m/s)
| Ar | 340 |
| Água | 1435 (8 graus centígrados) |
| Ferro | 3170 |
| Alvenaria | 3000 |
| Madeira | 1000 a 4000 |
| Aço | 5000 |
| Vidro | 5000 |
| Granito | 6400 |
| Cortiça | 500 |
| Borracha | 100 |
Obs: Esses valores servem para calcular a
transmissão do som em vários meios. Não confunda essas grandezas com aquelas que absorvem
o som. Você vai usar esses valores quando estiver trabalhando com transmissão de
ruídos, isto é, Vibração.
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